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Laboratório instalado no PEM II ajuda no diagnóstico de detentos com tuberculose

Por Redação - Agência PA (SECOM)
06/02/2015 17h11

Criado há cerca de cinco anos, o Laboratório para Análise de Tuberculose que funciona no Presídio Estadual Metropolitano II (PEM II), em Marituba, tem sido fundamental para a o diagnóstico precoce e tratamento dos detentos custodiados pelo Estado que apresentam quadro da doença. O local recebe amostras das unidades prisionais da Região Metropolitana de Belém e do Centro de Recuperação Regional de Castanhal (CRRCast), e realiza, mensalmente, cerca 200 exames. Somente no ano passado o laboratório analisou 1.168 amostras, das quais cerca de 600 foram positivas para tuberculose.

Tosse por mais de duas semanas, produção de catarro, febre, sudorese, cansaço, dor no peito, falta de apetite e emagrecimento são os principais sintomas da tuberculose. Nos casos mais avançados, o paciente pode apresentar escarro com sangue. Os detentos com suspeita da doença fazem a coleta da secreção nas próprias unidades prisionais da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) onde estão custodiados. As amostras são encaminhadas para o Laboratório no PEM II, onde é feita a Baciloscopia, exame que identifica os Bacilos-Álcool-Ácido-Resistentes no escarro do paciente. Este exame é considerado 100% eficaz e também o método de diagnóstico mais rápido, pois fica pronto em até 48 horas.

Se confirmado o caso de tuberculose, o setor de saúde da unidade onde o preso cumpre pena é comunicado para que o interno inicie imediatamente o tratamento, que é feito com três drogas diferentes: pirazinamida, isoniazida e rifamicina. Durante dois meses, o paciente faz uso dos três medicamentos e, a partir do terceiro mês, apoenas da isoniazida e da rifampicina. As amostras dos internos com tuberculose são encaminhadas para o Laboratório Central do Estado (Lacen), que em torno de 45 dias divulga o teste de sensibilidade que identifica a resistência da bactéria aos medicamentos que serão utilizados na segunda etapa do tratamento.

“Esse exame que realizamos aqui no laboratório ajuda a combater a doença ainda na fase inicial. Se fôssemos esperar os testes laboratoriais, que ficam prontos em mais de um mês, muitos outros detentos poderiam se contaminar com a doença”, explica a biomédica da Susipe, Evelin Rufino, responsável pelos exames. Mais conhecida como bacilo de Koch, a bactéria Mycobacterium tuberculosis, é responsável pela doença infecciosa que atinge principalmente os pulmões, causando a tuberculose.

De acordo com o Ministério da Saúde, anualmente são notificados cerca de seis milhões de novos casos de tuberculose em todo o mundo, levando mais de um milhão de pessoas a óbito. O surgimento da Aids e o aparecimento de focos de tuberculose resistente aos medicamentos agravam ainda mais esse cenário. No Brasil, a tuberculose é tido como um sério problema da saúde pública, com profundas raízes sociais. A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil novos casos e 4,6 mil mortes em decorrência da doença. O Brasil ocupa o 17º lugar entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo. Nos últimos 17 anos, a tuberculose apresentou queda de 38,7% na taxa de incidência e 33,6% na taxa de mortalidade.

Mas além dos fatores relacionados ao sistema imunológico de cada pessoa, o adoecimento por tuberculose, muitas vezes, está ligado à pobreza e à má distribuição de renda. Assim, alguns grupos populacionais apresentam maior vulnerabilidade devido às condições de saúde e de vida a que estão expostos. Os moradores de rua, por exemplo, tem 44 vezes mais chances de adoecer; enquanto que pessoas que vivem com o HIV/Aids tem 35 e detentos 28 vezes mais chances de desenvolver a tuberculose.

“O caso de tuberculose mais comum no cárcere é a pulmonar, em que há uma transmissão mais rápida da bactéria, devido às condições de custódia do preso. Nós temos feito continuamente um trabalho de conscientização com os internos e agentes prisionais, principalmente porque muitos abandonam o tratamento antes de estarem curados. A bactéria só é eliminada do corpo seis meses após o correto tratamento clínico. Aqui também fazemos exames junto aos servidores", explicou Sônia Picanço, responsável pela administração do Laboratório.

Alex Sales, 32 anos, fez o tratamento contra a tuberculose durante seis meses e está curado. Agora ele diz que passa bem, mas sofreu bastante com sintomas de febre e dores no peito dentro do presídio. “O tratamento é chato, depois dos três primeiros meses a gente já se sente melhor e quer parar de tomar os medicamentos, mas não pode. Fiz direitinho o que o médico receitou e as enfermeiras me ajudavam todos os dias para que eu usasse as pílulas corretas. Fiquei algum tempo na enfermaria para não contaminar outras pessoas e agora já estou no bloco carcerário. Estou muito feliz em estar curado, pois se estar preso é ruim, doente então é a pior sensação que existe”, relatou.

A Susipe, em parceria com a Sespa, realiza periodicamente cursos de atualização em Tuberculose no Sistema Carcerário. Profissionais como médicos, enfermeiras, odontólogos e terapeutas ocupacionais participam da capacitação, que tem como objetivo proporcionar a melhoria do atendimento de saúde nos estabelecimentos prisionais, a fim de facilitar o diagnóstico e o tratamento precoce da doença.

De acordo com a gerente da Divisão de Saúde Prisional (DSP), este ano será adotado um Procedimento Operacional Padrão (POP) para agilizar o tratamento e controle da tuberculose em todas as unidades prisionais do Estado. “Muitas vezes os detentos são diagnosticados com a doença e quando iniciam o tratamento são transferidos para outros presídios. Estamos orientando para que isso só aconteça em caso de determinação judicial para que o interno possa concluir os seis meses de medicação em apenas uma unidade prisional e não corra o risco de ter o tratamento suspenso”, disse Ivone.

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